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Morre Zuenir Ventura, ícone do jornalismo e da literatura brasileira, aos 95 anos
Membro da Academia Brasileira de Letras, o escritor viveu a infância e juventude em Nova Friburgo, cidade onde deu os primeiros passos em sua formação intelectual.
Por Gilvan Costa - Editor Executivo
Publicado em 22/09/2026 13:37
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O Brasil perdeu nesta terça-feira, 22 de setembro de 2026, um dos maiores nomes de sua imprensa e literatura. O jornalista, ensaísta e escritor Zuenir Ventura morreu em sua casa, no Rio de Janeiro, aos 95 anos, em decorrência de complicações provocadas por uma pneumonia. Ele ocupava a Cadeira nº 32 da Academia Brasileira de Letras (ABL) desde 2014, sucedendo o dramaturgo Ariano Suassuna.

Nascido em Além Paraíba (MG) em 1931, Zuenir manteve ao longo de toda a sua vida uma ligação profunda e afetiva com Nova Friburgo. Foi na cidade serrana que passou a infância e a juventude, após sua família se mudar para o município quando ele tinha apenas 11 anos.

O laço histórico com Nova Friburgo

Em Nova Friburgo, o jovem Zuenir viveu os desafios de uma juventude humilde. Filho de um pintor de paredes, trabalhou como contínuo em comércios locais e destacou-se no basquete regional. Foi também no município que descobriu sua paixão pelo ensino e pelas letras: ao conseguir uma bolsa de estudos em um colégio particular da cidade, passou a lecionar para alunos mais novos, dando início a uma longeva carreira acadêmica e jornalística.

Mais tarde, ao mudar-se para a capital do estado para cursar Letras Neolatinas, levou consigo as memórias do ambiente friburguense, cidade que frequentemente citava como parte fundamental de sua formação moral e intelectual.

Uma carreira marcada pelo rigor e pela defesa dos Direitos Humanos

Com uma trajetória que se confunde com a história da imprensa brasileira na segunda metade do século XX, Zuenir atuou nas principais redações do país, como Jornal do Brasil, Correio da Manhã, O Cruzeiro, Veja, IstoÉ e O Globo.

Ficou mundialmente reconhecido por reportagens investigativas e livros-reportagem que se tornaram clássicos da literatura nacional:

  • "1968 – O Ano que Não Terminou": Obra de referência sobre os bastidores políticos, culturais e a resistência jovem durante a ditadura militar no Brasil.

  • "Cidade Partida": Análise profunda sobre a violência urbana e as fraturas sociais do Rio de Janeiro após a chacina de Vigário Geral, trabalho que lhe rendeu o Prêmio Jabuti em 1995.

  • "Chico Mendes – Crime e Castigo": Cobertura histórica do assassinato do líder ambientalista no Acre, agraciada com os prêmios Esso de Jornalismo e Vladimir Herzog.

Em 2008, o jornalista foi homenageado com o Troféu Especial de Imprensa da ONU, em reconhecimento ao seu compromisso histórico na defesa dos direitos humanos.

Despedida e legado

Zuenir Ventura deixa a esposa, Mary Ventura, com quem foi casado por décadas, dois filhos (Elisa e Mauro) e dois netos. O velório será realizado no Salão Nobre do Petit Trianon, na sede da Academia Brasileira de Letras, no Centro do Rio de Janeiro, e o sepultamento ocorrerá no Mausoléu dos Imortais.

A Top Serrana expressa seus profundos sentimentos aos familiares, amigos e leitores deste grande mestre do jornalismo, cuja história orgulha o país e integra a memória afetiva de Nova Friburgo.

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